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Entenda a polêmica: a verdade por trás da fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida
Política

Entenda a polêmica: a verdade por trás da fake news sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida

Proposta de 2007 não tem relação com Flavio Bolsonaro

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A reta final da campanha presidencial ganhou, nesta sexta-feira, 25, um episódio que mistura religião, política e desinformação. Passou a circular nas redes sociais a informação de que o Senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL, pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil. A história é falsa, e sua origem ajuda a explicar como um comentário pontual em um programa de TV pode se transformar, em poucas horas, numa polêmica nacional.

O ponto de partida foi uma fala da jornalista Maria Cristina Fernandes no programa Em Pauta, da GloboNews, exibido na quinta-feira, 24. Ao comentar o clima religioso da campanha, ela mencionou um movimento dentro da própria Igreja Católica, em reação a uma articulação de parlamentares evangélicos que, segundo ela, estaria por trás de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do país. Em nenhum momento a jornalista atribuiu essa proposta a Flávio Bolsonaro ou estabeleceu qualquer vínculo direto entre ele e a articulação citada.

Ainda assim, um trecho da fala, tirado do contexto original, começou a circular isoladamente nas redes sociais já na noite de ontem. Rapidamente, publicações passaram a atribuir esse suposto plano diretamente ao candidato, como se ele fosse o autor ou apoiador da proposta.

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Por trás do boato há, de fato, uma proposta legislativa real, só que antiga e sem qualquer ligação com o Senador: o Projeto de Lei 2.623, de 2007. O texto pretendia alterar a Lei nº 6.802, de 1980, que instituiu o dia 12 de outubro como feriado nacional em homenagem à santa, substituindo a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". Esse projeto é anterior à vida política de Flávio Bolsonaro no cenário atual e não guarda qualquer relação com a candidatura dele.

Vale registrar também que esse tipo de boato não é inédito na família Bolsonaro. Em 2022, uma montagem semelhante atribuiu a Jair Bolsonaro a intenção de abolir o feriado de 12 de outubro e retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida, desmentida na época pelo próprio Flávio, que negou que o pai tivesse tal intenção.

Ainda na noite de quinta-feira, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo para rebater a história. "Estamos aqui na correria de agenda em Minas Gerais e sou surpreendido com uma mentira, uma fake news daquela, pra variar, que a milícia do PT está inventando na internet: que eu iria tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira. Não tem pé nem cabeça. Não existe esse projeto", afirmou.

Na legenda da publicação, o candidato aproveitou para reforçar que respeita "todas as religiões e também quem não tem religião" e criticou o adversário na disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem acusou de interferir "até nas regras da Igreja Católica".

Segundo apurou a CNN Brasil, a equipe jurídica da campanha de Flávio avalia acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta do episódio e já trabalha para identificar os perfis responsáveis por dar início à disseminação da informação falsa.

Na manhã desta sexta-feira, a própria GloboNews reconheceu a confusão gerada pela fala da jornalista e publicou uma retratação, esclarecendo que o comentário se referia a um movimento interno da Igreja Católica e não fazia qualquer menção a Flávio Bolsonaro. Após a nota do canal, o candidato voltou a se manifestar nas redes sociais, cobrando publicamente o erro da emissora.

Até o momento, não existe nenhum projeto de autoria ou apoiado por Flávio Bolsonaro para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, condição que a santa ocupa oficialmente desde 1930, com o feriado de 12 de outubro em sua homenagem instituído em 1980. A informação que circulou nasceu de um recorte descontextualizado de uma fala de TV, já corrigida pela própria emissora que a originou, mas ganhou repercussão adicional por ecoar um boato quase idêntico vivido pela família Bolsonaro em 2022 e pela proximidade com o segundo turno das eleições.

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Lucas Rogério

Publicado por:

Lucas Rogério

Lucas Rogério é cofundador e editor-chefe do Portal Futuro Livre, assina a Coluna Interferência e produz séries e reportagens especiais.

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