Durante anos, a jornalista, influenciadora e youtuber Camilla Falcão apresentou nas redes sociais e em reportagens a imagem de uma “família de margarina”. Em uma das aparições, em um programa de TV de rede nacional, o tema era “Loucuras de Amor”. Hoje, ela afirma que a realidade por trás da imagem era outra. “Foi uma loucura, mas nunca foi amor”, resume.
Segundo Camilla, a violência começou no início do relacionamento, com um toque indesejado, um empurrão, um tapa, um beliscão. Com o tempo, as agressões teriam se intensificado a ponto de exigir atendimento médico, que ela diz ter sido negado em diversas ocasiões. Ela relata que a primeira denúncia oficial foi anônima e também envolvia os dois filhos do casal.
A agressão de maio de 2024
De acordo com Camilla, ao longo dos anos foram registrados mais de 20 boletins de ocorrência. O episódio que ela descreve como o mais grave aconteceu por volta das 6h30 de 8 de maio de 2024, com os filhos em casa. Ela afirma que o então companheiro arremessou um celular contra a sua cabeça.
Camilla conta que tudo ocorreu em segundos e que não teve tempo de se defender. Em choque, saiu de casa e encontrou duas policiais, que a acompanharam até uma unidade de saúde. Segundo seu relato, levou oito pontos, perdeu parte da visão e teve infecções que colocaram sua vida em risco. O médico que a atendeu, diz ela, já a conhecia de atendimentos anteriores ligados a episódios de violência, e a lesão foi considerada gravíssima. Ela foi orientada a procurar um especialista.
Medidas protetivas e controle digital
Após a agressão, foram solicitadas medidas protetivas, que, segundo Camilla, foram descumpridas de forma reiterada. Ela relata que, no dia seguinte, recebeu um telefone, entregue por uma pessoa próxima ao círculo do ex-companheiro, acompanhado de palavras ameaçadoras. Suspeitando que o aparelho pudesse ter sido adulterado, buscou orientação sobre os riscos e sobre como proceder.
Camilla afirma ainda que o ex-companheiro teve acesso a suas contas e comunicações digitais, trocou senhas e se passou por ela. Diz temer que informações ligadas à sua terapia também tenham sido acessadas. Segundo ela, ele voltou à residência e retirou seus pertences durante uma mudança que não havia sido autorizada pela Justiça.
Laudos e afastamento dos filhos
A jornalista relata ainda a existência de um grupo de WhatsApp com o ex-companheiro, o advogado dele e uma profissional de psicologia, que também se apresentava como coach e teria sido indicada por uma igreja. Segundo Camilla, laudos foram produzidos sem que a profissional a tivesse atendido. Ela também afirma que foi separada dos filhos e diz que luta pelo direito de reconstruir o vínculo com eles.
Para entender o que acontecia e conseguir relatar os fatos, Camilla afirma que passou a estudar as leis e a procurar peritos e delegacias especializadas em crimes cibernéticos e falsificação de assinaturas. Mesmo assim, diz que não se sentiu protegida pelas instituições a que recorreu.
“Ninguém merece ser vítima para sempre”
Hoje, Camilla diz buscar recuperar a paz e fazer valer seus direitos. Sua maior preocupação, afirma, é poder exercer esses direitos e reconstruir a relação com os filhos. Ela quer, também, que a história sirva de alerta: que o que aconteceu com ela não aconteça com nenhuma outra mulher. “Ninguém merece ser vítima para sempre”, costuma dizer.
Se você sofre violência doméstica, ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou 190, em caso de emergência.
As imagens que ilustram esta reportagem são creditadas a Thainara Macedo

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