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Enem tem mais de 5 milhões de inscritos: mulheres são 63,98% do total e 13,8 mil participantes têm mais de 60 anos
Cultura & Educação

Enem tem mais de 5 milhões de inscritos: mulheres são 63,98% do total e 13,8 mil participantes têm mais de 60 anos

Especialista orienta como aproveitar a reta final de estudos; revisar erros e distribuir as revisões ajudam a organizar a preparação

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O Enem 2026 tem 5.051.345 participantes com inscrições confirmadas, segundo o painel divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). 

Com provas marcadas para os dias 8 e 15 de novembro, os candidatos entram nas últimas semanas de preparação diante de uma questão prática: como aproveitar melhor o tempo que resta?

Os dados mostram a diversidade do público que fará o exame. As mulheres representam 63,98% das inscrições confirmadas, com 3.232.013 participantes. Entre os inscritos, 13.821 têm mais de 60 anos. Apesar das diferentes idades e trajetórias, esses candidatos têm um desafio em comum: aproveitar o tempo de preparação até a prova.

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Segundo Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, o caminho passa por uma rotina que considere as dificuldades e o tempo disponível de cada estudante. Mais do que ampliar as horas diante dos livros, a orientação é observar o que o candidato consegue fazer com o conteúdo: explicar um conceito, interpretar um enunciado e resolver uma questão sem ajuda.

Ler um capítulo inteiro e, pouco depois, não conseguir explicar o assunto. Acertar um exercício com o material aberto, mas travar quando precisa responder sem consulta. Essas situações ajudam a identificar a diferença entre reconhecer uma informação e conseguir recuperá-la quando necessário.

Estratégias como responder a perguntas sem consulta e distribuir as revisões ao longo dos dias têm respaldo científico. Uma revisão publicada na revista Psychological Science in the Public Interest classificou a prática de testes e o estudo espaçado entre as técnicas de maior utilidade para a aprendizagem.

A seguir, orientações da especialista para organizar a reta final do Enem e dos vestibulares.

1. Defina tarefas, não apenas horas de estudo
A primeira recomendação é transformar metas genéricas em tarefas concretas. Em vez de reservar um período apenas para “estudar matemática”, por exemplo, o candidato pode estabelecer como objetivo revisar equações do segundo grau, resolver dez questões e corrigir os erros.

Segundo Patrícia, essa organização ajuda a acompanhar o que foi concluído e quais dúvidas permanecem. Na reta final, o planejamento deve partir das dificuldades já identificadas nos exercícios e simulados, além de considerar o formato de cada prova.

2. Feche o material e tente explicar o que aprendeu
Depois da leitura, a especialista recomenda guardar as anotações e tentar explicar o assunto com as próprias palavras. Escrever o que lembra ou responder a perguntas sem consulta são outras formas de verificar a compreensão.

A conferência vem depois: quais informações ficaram de fora? Houve confusão entre conceitos? Em que ponto faltou clareza?

Esse esforço de recuperar informações da memória faz parte da chamada prática de recuperação. O exercício permite perceber quais conteúdos o estudante consegue acessar sozinho e quais ainda precisam de revisão.

3. Reserve tempo para entender os erros
Conferir apenas o número de acertos limita o aproveitamento de uma lista de exercícios. Para a diretora pedagógica, a correção precisa investigar por que cada resposta estava errada.

O estudante desconhecia uma fórmula? Interpretou o enunciado de forma equivocada? Deixou passar uma informação? Sabia o caminho, mas errou o cálculo?

Patrícia orienta registrar o assunto, o motivo do erro e o ponto que precisa de revisão. Depois, a recomendação é refazer a questão sem olhar a resolução. Esse acompanhamento ajuda a direcionar o estudo para dificuldades específicas.

4. Retome os assuntos em dias diferentes
Concentrar toda a revisão de um tema em uma única sessão pode deixar dúvidas e esquecimentos menos visíveis. Por isso, a especialista recomenda distribuir as retomadas pelos dias disponíveis até a prova.
Essas revisões não precisam repetir toda a leitura. Perguntas, exercícios e registros de erros podem servir como ponto de partida para revisitar o que ainda exige atenção.

A proposta é incluir novas oportunidades de recuperar o conteúdo, em vez de apenas reler o material várias vezes na mesma sessão.

5. Mobilize atenção, memória e raciocínio durante o estudo
Ler, responder, explicar e corrigir colocam o estudante em contato com o conteúdo de maneiras diferentes. Segundo Patrícia, a rotina deve abrir espaço para essas ações, em vez de se limitar à leitura e à marcação de trechos.

Interpretar gráficos, relacionar conceitos e construir argumentos são atividades que exigem atenção, memória e raciocínio durante a própria preparação. Resolver questões também permite observar como essas habilidades entram em ação diante das exigências da prova.

Na avaliação da especialista, atividades de estimulação cognitiva podem complementar a rotina, mas não substituem o estudo das disciplinas nem a prática com questões. Sua participação também não deve ser tratada como garantia de melhora nas notas ou de aprovação.

6. Use o simulado para ajustar o tempo de prova
Patrícia orienta olhar para o simulado como uma oportunidade de entender tanto as dificuldades de conteúdo quanto a administração do tempo.
Quais questões exigiram minutos demais? A redação ficou para o fim? Houve tempo para revisar as respostas? Alguma área concentrou os erros?

Essas informações devem orientar os próximos passos. Se o candidato não consegue concluir a prova, pode testar outra ordem de resolução nos treinos. Se os erros se concentram em determinados assuntos, eles precisam voltar ao cronograma. Uma única nota, porém, não deve ser tomada como previsão de aprovação ou fracasso.

7. Inclua pausas e preserve o descanso
A diretora pedagógica recomenda um planejamento que comporte refeições, pausas, lazer e descanso. O objetivo é construir uma rotina possível de manter nas semanas que antecedem o exame.

Durante os períodos de estudo, a orientação é reduzir as interrupções. Deixar o celular fora do alcance e definir a tarefa antes de começar são medidas simples para organizar o ambiente.

Na reta final, Patrícia aconselha usar as dificuldades já identificadas para escolher as prioridades: revisar conceitos ainda confusos, refazer questões e praticar com provas anteriores. Mais do que somar horas, o estudante precisa reconhecer o que já consegue explicar e resolver sozinho.

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