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Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
O que não damos e a IA não responde

Entre Parênteses

O que não damos e a IA não responde

O fim da interação humana acontecendo aqui e agora

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Um like, um reels enviado. Um emoji no comentário, uma notificação. “Olha, fui lembrado.” “Que consideração, hein?”, logo se pensa. Como se fosse um cumprimento com beijo no rosto, um abraço ou até mesmo marcar presença na rotina. Algo pequeno, passageiro e, pior: distante. Mas a proposta é aproximar, não? Não, não estou rebaixando a relevância das redes sociais; pelo contrário, trago aqui a reflexão sobre um tratamento que as mesmas recebem e que está aquém do que deveriam receber.

A forma de se notar, pensar e até mesmo sentir tem mudado conforme as supostas interações são observadas de forma diferente. Ou melhor, se é que são observadas. Já que são equivalentes a um significado que não podem ter. Sua função é exibir contato. Manter contato. Levar o contato. Que, por sua vez, não é humano. O que recebemos não tem o efeito de um abraço. O que lemos em comentários não nos atinge como conselhos de amigo. O que nossos parentes republicam não pode ser posto no mesmo patamar de um abraço e um sorriso quando se chega à celebração da família. Mas quem liga? Se o mundo é online e tudo nele se releva, por que as relações humanas também não o poderiam ser?

Nada certo, nada errado, nada incerto. Caminhando rumo à aceitação de tudo. Inclusive das informações e suas fontes, que conseguem lançar água em uma distância muito mais perigosa, e não é água limpa. E dizem as lendas vindas do feed, da “foryou” e dos trend topics, que a tendência, com a IA, é elevar a percepção! Ah, não, perdoe-me: a falta dela. Dizia um certo livro que nossas percepções deveriam exceder os sentidos, ter o fundo da razão. Algumas pessoas devem não ter lido essa parte, talvez. Pois até mesmo nossos pensamentos mais esquisitos conseguem ter forma, e a Inteligência Artificial, substituindo a Inteligência Natural (que aqui também pode ser identificada como senso crítico, irmão da percepção), vai se divertir bastante com os efeitos colaterais de tudo isso.

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Assim, vamos normalizando o raso, a ausência do pensamento e nos deixando mover, como ondas fracas prestes a chegar na areia, por um instrumento mal utilizado. Talvez isso pudesse ser mudado. Quem sabe com avaliações sobre o que precisamos, tal como a real socialização? Como buscar a verdade por detrás de uma suposta inteligência? Mas quem se importa? Contanto que o falso real, as falsas interações, que são rápidas e fáceis de se alcançar, continuem... não é mesmo?

Pense comigo: contanto que a Inteligência Artificial atenda ao que eu trato como entretenimento apenas... contanto que as redes sociais se mostrem mais emocionantes que a mim mesmo, não é tão grave assim. Por enquanto, pelo menos. Foi a Inteligência Natural quem me falou

Comentários:
Barbara Siqueira

Publicado por:

Barbara Siqueira

Barbara Siqueira é produtora de artigos especiais, voltados ao pensamento crítico. Atua em áreas da sociologia e filosofia, além de se interessar por leitura.

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