Embora a expressão “Brain Rot” tenha sido eleita como aquela que representou o ano de 2024, o fenômeno que está por detrás da mesma já é comum há muito mais tempo do que se percebe. A “podridão/atrofia mental” da qual se trata a mesma vem de um consumo contínuo, embora não tão consciente, das mídias sociais. As horas e horas investidas de forma comum em conteúdos que não trazem estímulo algum têm afetado também de maneira cada vez maior (e preocupante) o lado cognitivo da sociedade em geral.
Além do fato de vários tópicos serem apresentados de forma tão fragmentada a ponto de haver dificuldade para se atentar realmente ao que está acontecendo, é possível reparar que há, sim, a divulgação de informações distorcidas ou escancaradamente falsas. O que trouxe efeitos grandes demais para serem ignorados na convivência, sendo a polarização, por exemplo, um deles. Porém, tudo isso faz parte não apenas do uso, mas do intuito que fez e faz as mídias sociais serem como são.
O seu espaço não apenas busca levar as tendências e a diversão como muitos pensam, mas é organizado como uma ferramenta de manipulação e até mesmo controle sobre situações que desencadeiam a continuidade (ou não) de muitas áreas responsáveis por estabilizar a sociedade. Tal qual a maneira como as informações eram usadas para favorecer ou não a Economia, a Política e até mesmo a História por um meio de comunicação relevante à época retratada na distopia “1984” de George Orwell. Assim são as propostas das mídias sociais nos dias atuais.
Porém, se vê que, erroneamente, ao invés de se aproveitar as possibilidades do melhor jeito possível, ponderando sobre si e sobre os outros as consequências de tantas informações e suas respectivas fontes, as ofertas que se apresentam simplesmente são aceitas, sem analisar, contestar, ponderar e, claro, reavaliar. Isso tem tornado muitos como reféns, mesmo com o mundo nas próprias mãos, por meio de um clique, mas sem a capacidade de preservar a sua própria segurança por meio do resguardo da lógica e da verdade em sua própria vida.
Logo, tudo que se encontra nas mídias sociais, sejam coisas consideradas como mais sérias ou apenas a moda e os assuntos do momento, vêm e passam, mas a capacidade que o ser humano possui tem a garantia de ficar. E consegue se resguardar das más consequências de priorizar para a mente aquilo que há muito tempo virou um “palco de disputa”, pela notoriedade e pelo alcance que isso gera. Não é fácil, sim, aplicar essa visão, mas em tempos como os de hoje, aplicar a decisão de regular o tempo e a própria forma de consumo na internet não é apenas um hábito para ser diferente, mas para preservar o que, infelizmente, já se tornou algo indiferente: o bom pensar e o seu uso consciente.
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