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Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
A mente no piloto automático: como as redes sociais estão moldando (e esvaziando) o pensamento

Entre Parênteses

A mente no piloto automático: como as redes sociais estão moldando (e esvaziando) o pensamento

Entenda como o “Brain Rot” reflete a desconexão entre informação, lógica e consciência na era digital.

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Embora a expressão “Brain Rot” tenha sido eleita como aquela que representou o ano de 2024, o fenômeno que está por detrás da mesma já é comum há muito mais tempo do que se percebe. A “podridão/atrofia mental” da qual se trata a mesma vem de um consumo contínuo, embora não tão consciente, das mídias sociais. As horas e horas investidas de forma comum em conteúdos que não trazem estímulo algum têm afetado também de maneira cada vez maior (e preocupante) o lado cognitivo da sociedade em geral.

Além do fato de vários tópicos serem apresentados de forma tão fragmentada a ponto de haver dificuldade para se atentar realmente ao que está acontecendo, é possível reparar que há, sim, a divulgação de informações distorcidas ou escancaradamente falsas. O que trouxe efeitos grandes demais para serem ignorados na convivência, sendo a polarização, por exemplo, um deles. Porém, tudo isso faz parte não apenas do uso, mas do intuito que fez e faz as mídias sociais serem como são.

O seu espaço não apenas busca levar as tendências e a diversão como muitos pensam, mas é organizado como uma ferramenta de manipulação e até mesmo controle sobre situações que desencadeiam a continuidade (ou não) de muitas áreas responsáveis por estabilizar a sociedade. Tal qual a maneira como as informações eram usadas para favorecer ou não a Economia, a Política e até mesmo a História por um meio de comunicação relevante à época retratada na distopia “1984” de George Orwell. Assim são as propostas das mídias sociais nos dias atuais.

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Porém, se vê que, erroneamente, ao invés de se aproveitar as possibilidades do melhor jeito possível, ponderando sobre si e sobre os outros as consequências de tantas informações e suas respectivas fontes, as ofertas que se apresentam simplesmente são aceitas, sem analisar, contestar, ponderar e, claro, reavaliar. Isso tem tornado muitos como reféns, mesmo com o mundo nas próprias mãos, por meio de um clique, mas sem a capacidade de preservar a sua própria segurança por meio do resguardo da lógica e da verdade em sua própria vida.

Logo, tudo que se encontra nas mídias sociais, sejam coisas consideradas como mais sérias ou apenas a moda e os assuntos do momento, vêm e passam, mas a capacidade que o ser humano possui tem a garantia de ficar. E consegue se resguardar das más consequências de priorizar para a mente aquilo que há muito tempo virou um “palco de disputa”, pela notoriedade e pelo alcance que isso gera. Não é fácil, sim, aplicar essa visão, mas em tempos como os de hoje, aplicar a decisão de regular o tempo e a própria forma de consumo na internet não é apenas um hábito para ser diferente, mas para preservar o que, infelizmente, já se tornou algo indiferente: o bom pensar e o seu uso consciente.

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Barbara Siqueira

Publicado por:

Barbara Siqueira

Barbara Siqueira é produtora de artigos especiais, voltados ao pensamento crítico. Atua em áreas da sociologia e filosofia, além de se interessar por leitura.

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