O tópico da "Adultização", termo que se refere ao processo em que crianças e adolescentes são forçados a crescer antes da hora, seja por meio da sexualização ou por meio da inserção em um estilo de vida comum somente a pessoas adultas, veio à tona nas últimas semanas. Por meio de um vídeo do youtuber Felca, casos dessa magnitude foram analisados, passando então a receber grande atenção.
Porém, o que foi retratado no trabalho de Felca, na verdade, já é algo mais presente dentro e fora de muitos ambientes familiares, além de outros comuns à frequência de indivíduos que têm uma idade precoce. Não apenas por meio de músicas ou vídeos de tendências, mas pelo consumo imediato, sem nenhuma análise, de diversas coisas advindas da cultura e da convivência, que adotou ideais de hipervalorização de exibição do corpo, especialmente de mulheres ao longo do tempo. O que acabou por banalizar o impacto dos efeitos deste comportamento adulto a longo prazo.
Assim, o tempo passa, e junto dele, a presença destes comportamentos, que evoluem para hábitos nocivos à segurança não somente física, mas também mental e emocional de tantas crianças e jovens continua. E, nesses momentos, sem nenhuma observação ou indignação. O que foi tão comentado e compartilhado não é mais tão importante assim.
Então surge a pergunta: "Se não fosse um influenciador quem tivesse feito isso, seria isso uma coisa realmente relevante? Seria visto como um problema e não como parte da rotina?" E a tão desejada resposta é: Talvez. A falta de avaliação e do exercício crítico sobre o que se consome, e consequentemente o que se reproduz no estilo de vida, acaba por contribuir para que coisas como essas não sejam vistas da forma que deveriam. E o que não recebe esse tratamento não pode e nem consegue ser tratado, já que "não se trata de um problema".
Assim, se constrói a sequência de atos que chegaram ao ápice com a adultização explícita, mas que nem sequer deveriam receber abertura para acontecer. Que não deveriam estar de forma alguma servindo para entreter, mas, por não serem revistos, puderam fazer aquilo que sempre tiveram como real objetivo: se alimentar de uma suposta inocência, essa vinda do cultivo da ignorância com o que "vem de fora", para se estabelecer corroendo o que deve ser resguardado por dentro de cada um, de forma individual: o cuidado a seus hábitos próprios, que se reflete em tomadas de decisões diferentes para com o que se deve chegar e atingir o coletivo, seja ele de adultos "literais" ou os que são formados antes da hora.
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