O Brasil acordou hoje sob o impacto de um anúncio que gerou caos político interno e uma crise diplomática internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros importados, alegando desequilíbrio comercial e criticando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta, o presidente Lula afirmou que o Brasil reagirá com medidas proporcionais, prometendo retaliações comerciais baseadas na política de reciprocidade. Uma tensão grave, com potencial de afetar diretamente a economia, os empregos e as relações geopolíticas do país. Mas, apesar disso, a maior parte da população parece não se importar. As ruas seguem seu ritmo, as redes sociais seguem no automático, e a apatia coletiva soa mais alta que qualquer sirene de alerta.
Essa indiferença me faz pensar sobre a democracia. Ela é, sem dúvida, o melhor tipo de poder. Mas também, de certa forma, o pior.
É o melhor porque garante o acesso à informação, o direito ao voto, a liberdade de expressão, o espaço para o contraditório. Num sistema democrático, é possível discordar sem ser preso, denunciar sem ser exilado, protestar sem ser fuzilado. A democracia protege os direitos individuais e valoriza as escolhas coletivas.
Mas também é o pior justamente porque confia demais nessas escolhas coletivas. E as escolhas coletivas nem sempre são conscientes. O povo tem o poder, mas muitas vezes abre mão de usá-lo com responsabilidade. A democracia permite que uma nação escolha seus representantes, mas não impede que escolha mal. Permite o livre acesso à informação, mas não garante que ela será consumida, compreendida ou valorizada.
Não é raro ver um escândalo político ser tratado com indiferença. Um projeto de lei absurdo ser ignorado. Um ataque às instituições ser relativizado. A democracia dá a todos o poder de participar, mas não obriga ninguém a se importar.
E talvez aí resida seu ponto mais frágil. Ela depende de consciência. De educação política. De engajamento real. Sem isso, vira apenas um sistema formalmente bonito, mas tragicamente vazio. Vira um palco onde se encena uma falsa participação, enquanto os verdadeiros protagonistas assistem da plateia, de braços cruzados.
A democracia é o melhor dos poderes, mas também o pior. Porque nela, tudo é possível, inclusive o seu próprio enfraquecimento.
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