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Filhos da sociedade
Guerra De Braço

Filhos da sociedade

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Existe uma parte da sociedade que quase ninguém vê.

Não aparece nas redes sociais, não vira manchete, não gera debate político acalorado. Mas ela está ali — silenciosa, esquecida, invisível.

São as crianças e adolescentes abandonados.

Filhos de uma realidade dura, onde o amor falhou, onde a estrutura não chegou e onde a responsabilidade foi deixada para trás. Não estou falando de culpados, mas de consequências. Porque quando uma criança é abandonada, não é só uma família que falha — é toda uma sociedade que se cala.

Vivemos em um tempo onde se planeja cada detalhe da vida: carreira, bens, futuro. Mas, ao mesmo tempo, vemos crescer o número de crianças que não têm nem o básico — um lar, um abraço, um nome chamado com carinho.

Enquanto muitos lutam para ter filhos, outros deixam para trás aqueles que já nasceram.

E no meio disso tudo estão eles: esperando.

Esperando por uma chance.

Esperando por alguém que os veja além da idade, além da história, além das marcas.

Esperando por um “você importa”.

A adoção ainda carrega barreiras — muitas vezes, a preferência é por bebês, como se o amor tivesse prazo ou tamanho ideal. Mas e os maiores? E os adolescentes? Eles também precisam de cuidado, direção e afeto.

Eles também precisam de alguém que diga: “eu fico”.

Não podemos tratar isso como algo distante. Essa realidade está mais perto do que imaginamos — nas periferias, nos abrigos, nas instituições que fazem o possível com o pouco que têm.

Ainda bem que existem projetos, pessoas e iniciativas que lutam por essas vidas. Mas não deveria ser esforço de poucos — deveria ser consciência de todos.

Porque nenhuma criança deveria crescer sentindo que foi esquecida.

Talvez a mudança comece com algo simples: olhar.

Olhar com mais empatia.

Com mais responsabilidade.

Com mais amor.

Porque no final, o que essas crianças querem não é muito.

É só alguém que as enxergue — e decida ficar.

Matheus de Aquino

Publicado por:

Matheus de Aquino

Bacharel em jornalismo, e assina a Coluna Guerra De Braço.

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