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Sexta-feira, 19 de Junho de 2026
Pesquisa detalha como brasileiros equilibram conforto digital e contas em atraso

Especial

Pesquisa detalha como brasileiros equilibram conforto digital e contas em atraso

Dados coletados pelo Portal Futuro Livre traçam um panorama das despesas, dívidas e hábitos de consumo no país.

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A conta mais cara da casa, para a maioria das pessoas ouvidas em uma pesquisa recente, produzida pelo Portal Futuro Livre, é a de energia elétrica. Cerca de 66% dos entrevistados apontaram a luz como a despesa mais pesada do mês, superando água, telefone, internet e outros serviços. Esse dado, por si só, já revela a dimensão de um custo essencial que pesa no bolso de famílias de diferentes faixas etárias e regiões. Mas é quando se cruza essa informação com o comportamento de consumo que surge um retrato ainda mais complexo: o brasileiro vive no limite, mas não abre mão do que considera fundamental para manter o mínimo de conforto e conexão com o mundo.

O levantamento mostra que 85,7% das pessoas ouvidas assinam pelo menos um serviço de streaming. A Netflix lidera a lista, presente em 66,7% dos lares dos entrevistados. Em seguida vêm Amazon Prime, com 61,7%, Disney+, com 44,4%, e HBO Max, com 38,9%. Plataformas nacionais, como o Globoplay, aparecem com 33,3%, enquanto serviços gratuitos como Pluto TV também são usados por uma parcela menor. O gasto mensal com essas assinaturas varia bastante, mas um terço dos entrevistados paga entre R$ 51 e R$ 99 por mês. Outros 27,8% gastam entre R$ 100 e R$ 150, e uma parcela igual afirma gastar menos de R$ 50. Ainda assim, 11,1% reconhecem pagar mais de R$ 200 por mês com serviços de streaming.

Esse consumo de entretenimento digital contrasta com a renda mensal da maioria. Cerca de 47,6% dos entrevistados afirmam ganhar entre um e três salários mínimos. Outros 14,3% ganham até um salário, enquanto 38,1% estão na faixa dos quatro salários mínimos ou mais. Ou seja, mesmo entre aqueles com rendas mais modestas, o investimento em cultura, lazer e conectividade segue como prioridade, ainda que o orçamento aperte.

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Portal Futuro Livre/Ilustração
Ao olhar para a frequência de compras online, o comportamento também impressiona. Sites como Mercado Livre e Amazon são utilizados por 81% das pessoas, mostrando que o comércio eletrônico já está naturalizado no cotidiano. A Shopee aparece logo atrás, com 66,7%, e marcas ligadas à moda, como Shein, alcançam 33,3%. Outros sites também foram citados, o que reforça o hábito de comprar sem sair de casa, independentemente da renda.

Curiosamente, quando questionados sobre a compra mais cara de suas vidas, a resposta mais comum não foi casa, carro ou apartamento, mas sim o celular. Para 28,6% dos entrevistados, esse foi o item mais caro que já adquiriram. Em segundo lugar, com 23,8%, aparece o apartamento, seguido por casa e carro, ambos com 9,5%. A centralidade do smartphone na vida cotidiana talvez explique esse dado: o aparelho é hoje ferramenta de trabalho, estudo, lazer, comunicação e status. Ele concentra quase tudo.

Ainda que o consumo seja alto em certas áreas, a relação com o dinheiro é marcada por instabilidade. Perguntados sobre a existência de dívidas, 47,6% disseram ter alguma. Por outro lado, 52,4% afirmaram estar livres delas. Ao mesmo tempo, mais da metade declarou guardar ou investir algum valor mensalmente, o que pode indicar esforços de organização financeira, mesmo diante de dificuldades.

As contas bancárias também dizem algo sobre a forma como o brasileiro tem lidado com o sistema financeiro. Um terço dos entrevistados possui três contas. Outros 28,6% têm duas, e 19% têm apenas uma. Há ainda um grupo de 14,3% com quatro contas, e 4,8% com cinco ou mais. A multiplicidade de vínculos bancários pode indicar uma tentativa de aproveitar benefícios variados, evitar taxas ou simplesmente organizar melhor os fluxos financeiros mensais.

A percepção de classe social reforça o cenário de vulnerabilidade com nuances. Para 61,9% dos entrevistados, sua posição está na chamada classe C. Outros 33,3% se veem como classe B, enquanto 4,8% se identificam com a classe D. Mesmo entre os que se veem em uma posição intermediária, há o reconhecimento de limitações, especialmente diante da alta nos preços e da instabilidade no emprego.

No aspecto profissional, 52,4% afirmaram trabalhar com carteira assinada, enquanto 38,1% estão como autônomos ou desempregados. Apenas 9,5% atuam como Pessoa Jurídica. O dado reforça a precarização do trabalho e a dificuldade em manter vínculos estáveis, o que influencia diretamente nos hábitos de consumo e na capacidade de planejamento financeiro.

O consumo de roupas também foi abordado no levantamento. Para 28,6% dos entrevistados, a última compra de vestuário foi realizada na semana anterior à pesquisa. Outras pessoas indicaram prazos mais longos, como um mês, três meses, seis meses ou até mais de um ano. Quando questionados se consideram o preço de uma calça jeans de 100 reais caro ou barato, 61,9% disseram que é caro, enquanto 38,1% consideram um valor justo. Ainda assim, o número de pessoas que compram roupas com frequência mostra que o consumo de moda, mesmo que em menor escala, continua sendo parte do cotidiano.

As idades dos entrevistados se dividem principalmente entre dois grupos: 38,1% têm entre 18 e 24 anos, e outros 38,1% têm entre 40 e 59. Um público jovem e outro mais maduro, com comportamentos semelhantes em muitos aspectos. A maior parte vive no Sudeste, representando 66,7% da amostra. O Nordeste aparece com 19%, seguido pelo Sul, com 9,5%, e Centro-Oeste, com 4,8%. A região Norte não foi representada entre os respondentes.

Veja os resultados completos

57,1% homens
42,9% mulheres

38,1% têm entre 18 e 24 anos
38,1% têm entre 40 e 59 anos
23,8% têm entre 25 e 39 anos

66,7% são da região Sudeste
19% do Nordeste
9,5% do Sul
4,8% do Centro-Oeste

66,7% disseram que a conta mais cara da casa é a de luz
14,3% citaram telefone/internet/luz
9,5% água
4,8% outro
4,8% não souberam responder

85,7% assinam algum serviço de streaming
14,3% não assinam

Entre os que assinam:
66,7% usam Netflix
61,7% Amazon Prime
44,4% Disney+
38,9% HBO Max
33,3% Globoplay
27,8% outro
16,7% Pluto TV
11,1% Paramount+
5,6% PlayPlus

33,3% pagam entre R$ 51 e R$ 99 com streaming
27,8% pagam entre R$ 100 e R$ 150
27,8% pagam menos de R$ 50
11,1% pagam mais de R$ 200

81% já compraram online no Mercado Livre
81% na Amazon
66,7% na Shopee
33,3% na Shein
33,3% em outros sites

47,6% ganham entre 1 e 3 salários mínimos
38,1% ganham 4 ou mais salários
14,3% ganham até 1 salário mínimo

33,3% têm 3 contas bancárias
28,6% têm 2 contas
19% têm 1 conta
14,3% têm 4 contas
4,8% têm 5 ou mais

57,1% guardam ou investem dinheiro
42,9% não

28,6% compraram roupas na última semana
19% compraram há mais de um ano, mas menos de três
14,3% compraram há quase um mês
14,3% entre um e três meses
14,3% entre quatro e seis meses
9,5% entre seis meses e um ano

61,9% acham que R$ 100 em uma calça jeans é caro
38,1% acham barato

28,6% disseram que a compra mais cara da vida foi um celular
23,8% um apartamento
23,8% outro
9,5% uma casa
9,5% um carro
4,8% um eletrodoméstico

52,4% trabalham com carteira assinada (CLT)
38,1% são autônomos ou estão desempregados
9,5% são Pessoa Jurídica (PJ)

61,9% se consideram parte da Classe C
33,3% da Classe B
4,8% da Classe D

52,4% não têm dívidas
47,6% têm dívidas



Comentários:
Lucas Rogério

Publicado por:

Lucas Rogério

Lucas Rogério é cofundador e editor-chefe do Portal Futuro Livre, assina a Coluna Interferência e produz séries e reportagens especiais.

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