No fim da tarde da última quarta feira, 13 de agosto, ocorreu no bairro de Santa Cecília no Centro de São Paulo o lançamento das obras "Estatuto da Vítima" e "Direito, Sociedade, Políticas Criminais e Segurança Pública no Brasil", o qual contou com a presença de diversas autoridades da área da Segurança Pública, nomes renomados do ramo jurídico, além da presença aberta do público. Juntamente com a sessão de autógrafos, houve também a abordagem da relevância do tema na atualidade, mediante às ações práticas de atuação da Segurança Pública e a mediação da mesma por parte do Estado.
A união entre as pesquisas dos sessenta e dois coautores, das respectivas áreas nas quais também há a participação de profissionais da Psicologia e Serviço Social, tiveram como objetivo aprofundar a observação do contexto tanto teórico, quanto prático, trabalhando as nuances das vivencias de diferentes grupos negligenciados dentro da sociedade. Tais como as pessoas negras, por exemplo.
Segundo dados, são indivíduos negros que ocupam a maioria do espaço carcerário em nível nacional, chegando ao seu ápice no ano de 2022. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), nunca antes havia se alcançado uma quantia tão grande de pessoas negras cumprindo penas em regime fechado. E, no ano seguinte, 2023, o número exato de pessoas negras dentro dos presídios equivaliam à 69,1% de todos os presidiários no Brasil.
A coautora da obra Sarita Amaro, editora da Equipe Nova Práxis, já lidava com a temática da "vitimização" desde a época de seu doutorado. Atuante na área do Serviço Social, retratou a análise da interdisciplinariedade entre as vivências dentro dos presídios, principalmente por parte da população negra entre as vítimas de violência, desde a infância até nos casos que se entendem ao trânsito. Referência dentro da área de debates raciais e da infância, descreve o processo de organização das abordagens que pautam a obra.
"Não bastante apenas acolher a obra, era preciso acolher o tema em si. Por isso decidimos dar sequência ao trabalho com o lançamento de 'Direito, Sociedade, Políticas Criminais e Segurança no Brasil" Anteriormente havia apenas a ideia de divulgação do "Estatuto da Vítima"
"Pois os materiais que estavam chegando retratavam questões mais amplas. Decidi, ao ler a obra na parte final, acrescentar a perspectiva racial, que não se encontrava ali, juntamente com a base da violência infantil dentro do ambiente escolar".
Além de Sarita, outros seis coautores participaram do processo que trouxe novamente atenção à tópicos tão intrínsecos à garantia da Cidadania, Segurança, Justiça e Aplicabilidade dos serviços do Estado de maneira mais organizada e, principalmente, humanizada. Por meio da literatura, arma poderosa e atemporal, será possível um melhor vislumbre por parte da população da importância de não apenas saber dados importantes, mas, de exercitar a compreensão para as necessidades de combate e cuidado, principalmente com grupos tidos pela sociedade como marginalizados. Que são a principal mira também do Estado, agente crucial para a manutenção dessa ação, muitas vezes ignorado pela falta de percepção da forma de trabalhar do mesmo.

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