O governo dos Estados Unidos, sob a liderança presidente Donald Trump, anunciou a criação de um sistema digital para que os americanos possam compartilhar seus dados de saúde com diferentes prestadores de serviços.
A novidade foi apresentada em um evento na Casa Branca, com apoio de grandes empresas de tecnologia como Google, Amazon, Apple e OpenAI.
O lançamento ocorreu na quarta-feira (30/07), em Washington (DC), com a promessa de integrar a tecnologia ao sistema de saúde pública e privada. A iniciativa será supervisionada pelos Centros de Serviços Medicare e Medicaid.
Os pacientes poderão autorizar voluntariamente o compartilhamento dos seus registros de forma eletrônica, inclusive via códigos QR code. A promessa é eliminar a burocracia e evitar a repetição de exames e formulários.
Inteligências artificiais também serão usadas para ajudar no monitoramento de sintomas e orientações médicas entre consultas. Por que importa? O objetivo é transformar o acesso à saúde, dando ao cidadão maior controle sobre seus dados. O sistema pretende beneficiar milhões de pacientes com doenças crônicas, como diabetes e obesidade, além de tornar o atendimento mais rápido e eficiente.
Apesar das promessas, especialistas em tecnologia e privacidade manifestaram preocupações. Embora o governo tenha garantido que o sistema é opcional e não haverá banco de dados centralizado, ainda não está claro como a segurança das informações será garantida, especialmente quando compartilhadas com aplicativos que não são ligados diretamente a hospitais ou seguradoras.
David Holtzman, consultor de privacidade e ex-fundador da HIT privacy, afirmou que muitos dos recursos anunciados já estão em funcionamento em diversas instituições. Segundo ele, é preciso cautela, pois aplicativos comerciais podem estar fora das regras de proteção da HIPAA, a lei federal americana que regula a privacidade na saúde.
Peter K. Jackson, advogado especialista em segurança cibernética, ressaltou que a mudança não pode acontecer sem ajustes na legislação atual. "É uma iniciativa relevante, mas requer um alinhamento regulatório complexo para não colocar em risco a confidencialidade dos pacientes", afirmou.
A iniciativa americana faz parte de um movimento global conhecido como Open Health, que busca integrar sistemas de informação em saúde e dar mais autonomia aos pacientes. Europa, Estônia, Reino Unido e Austrália têm projetos semelhantes, cada um com ênfase em proteção de dados, interoperabilidade e participação cidadã.
No Brasil, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) representa o primeiro passo nesse sentido. Apesar dos desafios estruturais e regulatórios, o país avança com a adoção de tecnologias como HL7 FHIR, blockchain e com a participação crescente de healthtechs.
A digitalização dos dados de saúde é uma tendência irreversível, mas exige equilíbrio entre inovação e proteção de direitos. O debate sobre privacidade, regulação e segurança é essencial para garantir que o avanço tecnológico beneficie, de fato, os pacientes.
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