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Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Sistema digital de registros médicos promete facilitar acesso à informação

Adriano Explica

Sistema digital de registros médicos promete facilitar acesso à informação

Iniciativa apoiada por big techs promete agilizar atendimentos e evitar repetição de exames.

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O governo dos Estados Unidos, sob a liderança presidente Donald Trump, anunciou a criação de um sistema digital para que os americanos possam compartilhar seus dados de saúde com diferentes prestadores de serviços. 

A novidade foi apresentada em um evento na Casa Branca, com apoio de grandes empresas de tecnologia como Google, Amazon, Apple e OpenAI.

O lançamento ocorreu na quarta-feira (30/07), em Washington (DC), com a promessa de integrar a tecnologia ao sistema de saúde pública e privada. A iniciativa será supervisionada pelos Centros de Serviços Medicare e Medicaid.

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Os pacientes poderão autorizar voluntariamente o compartilhamento dos seus registros de forma eletrônica, inclusive via códigos QR code. A promessa é eliminar a burocracia e evitar a repetição de exames e formulários. 

Inteligências artificiais também serão usadas para ajudar no monitoramento de sintomas e orientações médicas entre consultas. Por que importa? O objetivo é transformar o acesso à saúde, dando ao cidadão maior controle sobre seus dados. O sistema pretende beneficiar milhões de pacientes com doenças crônicas, como diabetes e obesidade, além de tornar o atendimento mais rápido e eficiente. 

Apesar das promessas, especialistas em tecnologia e privacidade manifestaram preocupações. Embora o governo tenha garantido que o sistema é opcional e não haverá banco de dados centralizado, ainda não está claro como a segurança das informações será garantida, especialmente quando compartilhadas com aplicativos que não são ligados diretamente a hospitais ou seguradoras.

David Holtzman, consultor de privacidade e ex-fundador da HIT privacy, afirmou que muitos dos recursos anunciados já estão em funcionamento em diversas instituições. Segundo ele, é preciso cautela, pois aplicativos comerciais podem estar fora das regras de proteção da HIPAA, a lei federal americana que regula a privacidade na saúde.

Peter K. Jackson, advogado especialista em segurança cibernética, ressaltou que a mudança não pode acontecer sem ajustes na legislação atual. "É uma iniciativa relevante, mas requer um alinhamento regulatório complexo para não colocar em risco a confidencialidade dos pacientes", afirmou.

A iniciativa americana faz parte de um movimento global conhecido como Open Health, que busca integrar sistemas de informação em saúde e dar mais autonomia aos pacientes. Europa, Estônia, Reino Unido e Austrália têm projetos semelhantes, cada um com ênfase em proteção de dados, interoperabilidade e participação cidadã.


No Brasil, a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) representa o primeiro passo nesse sentido. Apesar dos desafios estruturais e regulatórios, o país avança com a adoção de tecnologias como HL7 FHIR, blockchain e com a participação crescente de healthtechs.
A digitalização dos dados de saúde é uma tendência irreversível, mas exige equilíbrio entre inovação e proteção de direitos. O debate sobre privacidade, regulação e segurança é essencial para garantir que o avanço tecnológico beneficie, de fato, os pacientes.

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Adriano Bernardi

Publicado por:

Adriano Bernardi

Adriano Bernardi é advogado, especialista em Direito Digital e Direito Empresarial. Vice-Presidente da Comissão de Direito Digital e Startups da OAB/MS. Entusiasta de novas tecnologias e sua relação com o universo jurídico.

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