Portal Futuro Livre | As principais notícias estão aqui!

Sexta-feira, 19 de Junho de 2026
O peso e o perigo de ser bom em um mundo que não valoriza a bondade

Interferência

O peso e o perigo de ser bom em um mundo que não valoriza a bondade

Em uma sociedade que desconfia da empatia, persistir na gentileza virou um ato de coragem e de risco.

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O ser humano tem uma tendência curiosa e, por vezes, autodestrutiva: a de se sabotar quando percebe que a felicidade está próxima. Parece contraditório, mas é mais comum do que se imagina. Muitas pessoas, talvez mais do que gostaríamos de admitir, entram em conflito quando se deparam com a possibilidade real de plenitude. Como se não fossem merecedoras. Como se a felicidade fosse um luxo reservado a outros.

Essa sabotagem não é universal, é verdade. Mas ela aparece com mais frequência entre os que aprenderam, cedo demais, a colocar os outros em primeiro lugar. Gente de coração bom, que prefere ver o outro sorrir mesmo que precise esconder as próprias lágrimas. Pessoas que, por trás do altruísmo admirável, carregam culpas que nem são suas. Sentem-se mais confortáveis na dor do que na paz, como se o sofrimento validasse suas boas intenções.

Ter um coração bom é algo raro. Genuíno. Mas ser uma pessoa boa hoje em dia é quase um ato de resistência. E, ao mesmo tempo, um risco. Ser bom, no mundo de hoje, é ser confundido com ser bobo. É abrir a porta e ser invadido. É oferecer a mão e perder o braço. A bondade, antes admirada, virou sinônimo de ingenuidade. E, para muitos, ingenuidade virou falha de caráter.

Leia Também:

O que resta, então, a quem ainda insiste em ser bom? Muitos endurecem. Outros se adaptam. Poucos persistem. A verdade é que estamos numa era em que a frieza é tida como inteligência emocional, e a empatia, como fraqueza. Um tempo em que pessoas boas são testadas diariamente e, não raro, abandonadas ou ridicularizadas.

Não é uma defesa da maldade. É um apelo para que a bondade não seja mais tratada como sinônimo de burrice. Que a coragem de permanecer bom em meio ao caos seja reconhecida como uma virtude e não como um erro de cálculo.

Sabotar-se diante da felicidade pode ser um reflexo daquilo que o mundo fez com a gente. Mas não precisa ser nosso destino. Reconhecer que merecemos ser felizes é, talvez, o primeiro passo para deixar de medir nosso valor pelo sorriso dos outros. E finalmente sorrir por nós.

Comentários:
Lucas Rogério

Publicado por:

Lucas Rogério

Lucas Rogério é cofundador e editor-chefe do Portal Futuro Livre, assina a Coluna Interferência e produz séries e reportagens especiais.

Saiba Mais
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!