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As marcas invisíveis após o fim da pandemia
Interferência

As marcas invisíveis após o fim da pandemia

O fim da pandemia não encerrou os impactos emocionais e sociais nos jovens.

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A pandemia foi oficialmente declarada encerrada em 5 de maio de 2023. No entanto, seus efeitos emocionais, sociais e profissionais continuam visíveis, especialmente entre os jovens que viveram os anos de isolamento em 2020 e 2021. A saúde mental dessa geração sofreu impactos profundos, que ainda hoje dificultam a retomada da vida em ritmo considerado “normal”.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, no primeiro ano da pandemia, os sintomas de ansiedade e depressão cresceram 25% em todo o mundo. Os jovens foram os mais afetados, como mostra um estudo da Universidade de Calgary, que identificou uma duplicação dos níveis desses transtornos nessa faixa etária. No Brasil, esse reflexo é ainda mais preocupante. Uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, com base em dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS, revelou que, em 2023, os registros de ansiedade entre adolescentes chegaram a 157 casos por 100 mil habitantes, superando pela primeira vez os índices entre adultos, que ficaram em 112,5 por 100 mil habitantes. 

Outro estudo, da Sapien Labs, mostrou que brasileiros de 18 a 24 anos apresentam 39% mais queixas relacionadas à saúde mental em comparação com pessoas entre 55 e 64 anos. Nessa mesma faixa jovem, a chance de relatar problemas psiquiátricos é cinco vezes maior. Durante a pandemia, uma pesquisa da Pfizer revelou que 39% dos jovens entre 18 e 24 anos avaliaram sua saúde mental como ruim, e 11% como muito ruim. Entre eles, mais da metade relatou irritação, insônia e tristeza constantes.

Mesmo após o fim da emergência sanitária, os jovens continuam lidando com os efeitos de um tempo que parece ter escapado pelas mãos. A pandemia interrompeu planos de estudo, atrasou experiências fundamentais para o amadurecimento emocional e social, e gerou uma sensação coletiva de estagnação. Enquanto algumas pessoas se tornaram famosas ou financeiramente bem-sucedidas nas redes sociais, outras ficaram com a impressão de que não conseguiram “aproveitar a onda”. A comparação, alimentada pela internet, reforça a insegurança de quem ainda busca seu espaço.

Hoje, em 2025, a frase “a pandemia já acabou” perdeu sua força. Ela não serve como consolo e tampouco resolve os sentimentos de angústia, cobrança e frustração que seguem presentes. Muitos jovens se veem pressionados a agir como adultos completos, mesmo que ainda estejam lidando com as consequências de um evento que transformou o mundo sem avisos nem preparação. O tempo parado foi real, e os impactos continuam moldando decisões de carreira, relações pessoais e perspectivas de futuro.

Lucas Rogério

Publicado por:

Lucas Rogério

Lucas Rogério é cofundador e editor-chefe do Portal Futuro Livre, assina a Coluna Interferência e produz séries e reportagens especiais.

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