Aprender inglês é surpreendentemente mais fácil do que muitos imaginam, não porque o idioma em si seja simples, mas porque, ao longo dos anos, aprendi bem as regras do português. A gramática da minha própria língua me deu as ferramentas necessárias para entender estruturas como o verbo to be, tempos verbais e funções sintáticas que, para muitos, parecem impossíveis. Isso me fez refletir: será que a dificuldade que tantos brasileiros enfrentam ao aprender inglês não está mais ligada a falhas no ensino do português do que à complexidade do idioma estrangeiro?
A verdade é que falta conexão entre o que é ensinado nas escolas. O ensino do português e o do inglês seguem caminhos que não se conversam. Enquanto em português aprendemos a ler e escrever antes de mergulhar na gramática formal, o ensino do inglês exige que entendamos desde cedo estruturas como o to be, que demandam conhecimento de sujeito, predicado e tempos verbais. O problema? Muitos alunos ainda não dominam essas noções nem mesmo em português quando são apresentados a elas em inglês.
Esse desencontro de tempos cria um efeito em cadeia: estudantes travam no inglês porque não compreendem sua própria língua. Sem uma base forte no português, interpretar textos se torna um desafio, escrever com clareza vira um obstáculo e aprender um novo idioma parece impossível. A consequência vai além das salas de aula: estamos formando gerações de analfabetos funcionais. Pessoas que sabem ler, mas não compreendem o que leem. Que escrevem, mas sem coerência. Que passam anos estudando inglês, mas saem da escola sem conseguir formar uma frase.
O problema não é apenas curricular, mas estrutural. O tempo de ensino das disciplinas está defasado. A gramática do português deveria ser ensinada com mais profundidade antes de exigir do aluno um entendimento complexo do inglês. Do contrário, seguimos um ciclo onde o aprendizado se torna uma decoreba desconectada da realidade.
Se o objetivo da educação é formar cidadãos preparados para o mundo, é urgente repensar como os idiomas são ensinados. Porque, no fim das contas, a dificuldade com o inglês pode ser só um sintoma de um problema muito maior: um sistema que não ensina a pensar.
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