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Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Análise: polêmica de Ratinho no SBT pressiona Ratinho Jr. e pode alterar cálculo eleitoral do PSD

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Análise: polêmica de Ratinho no SBT pressiona Ratinho Jr. e pode alterar cálculo eleitoral do PSD

Declarações contra a Deputada Erika Hilton surgem no momento em que o Ratinho Jr desponta como favorito na disputa interna do PSD

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O cenário político brasileiro, já aquecido pela proximidade das eleições presidenciais, foi sacudido esta semana por uma tempestade que saiu dos estúdios de televisão e ganhou dimensão nacional. O apresentador Ratinho, conhecido por seu estilo direto e muitas vezes controverso, fez declarações de cunho transfóbico direcionadas à Deputada federal Erika Hilton, do PSOL.


O estopim da polêmica foi a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. O fato se tornou um marco histórico por ela ser a primeira mulher trans a ocupar o cargo.


Durante seu programa no SBT, Ratinho questionou a legitimidade da Deputada e afirmou que ela “não é mulher, é trans”, acrescentando que o posto deveria ser ocupado por “mulheres biológicas”. A reação foi imediata. Erika Hilton anunciou que acionaria a Justiça contra o apresentador, e o episódio desencadeou uma onda de críticas de movimentos sociais e setores ligados à defesa dos direitos LGBTQIAPN+.

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O impacto da declaração ultrapassou os limites da televisão e rapidamente chegou ao ambiente político. Em Curitiba, o foco se voltou para o Governador do Paraná, Ratinho Jr., apontado como um dos nomes fortes na disputa interna do PSD pela candidatura à Presidência da República.


O partido vive uma disputa que, ao menos publicamente, mantém tom cordial entre três Governadores que despontam como possíveis presidenciáveis: Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.


Até o momento, Ratinho Jr. vinha sendo apontado como favorito dentro desse grupo. Segundo levantamento do Meio/Ideia divulgado em 11 de março de 2026, o Governador paranaense aparece competitivo em cenários de segundo turno contra o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegando a liderar no Sul e no Sudeste em algumas simulações. Em outro cenário medido pela Quaest, Ratinho Jr. aparece com 33% contra 42% de Lula, apresentando uma das menores distâncias entre os nomes associados ao campo de centro-direita.


A disputa interna do PSD, porém, depende menos do desempenho pontual nas pesquisas e mais da capacidade de cada nome em manter baixa rejeição nacional. Nesse contexto, aliados de Leite e Caiado tendem a adotar uma postura de cautela e observação, evitando confrontos diretos enquanto os efeitos da polêmica envolvendo o pai de Ratinho Jr. se desenrolam.


Para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, o cálculo é essencialmente pragmático. Ratinho Jr. construiu ao longo dos últimos anos uma imagem de gestor técnico e moderado, perfil que o ajudou a manter índices de rejeição relativamente baixos entre os possíveis presidenciáveis. No entanto, a associação familiar com declarações polêmicas pode ampliar esse índice e alterar o equilíbrio interno do partido.


Nesse cenário, Eduardo Leite surge como alternativa viável dentro da lógica eleitoral. O Governador gaúcho não carrega vínculos diretos com polêmicas públicas semelhantes e, ao mesmo tempo, representa um perfil capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado. Sua vida pessoal, marcada por um relacionamento assumido com um parceiro do mesmo sexo, permite gestos simbólicos de aproximação com setores progressistas sem necessariamente romper com o eleitorado de centro ou da direita moderada.


Na prática, a decisão caberá a Kassab, reconhecido no meio político por sua capacidade de leitura pragmática dos cenários. Ele terá de avaliar se o capital eleitoral de Ratinho Jr. nas regiões Sul e Sudeste é suficiente para resistir ao desgaste provocado pela controvérsia, ou se a candidatura de Eduardo Leite oferece um caminho mais estável para atrair eleitores que rejeitam os extremos da polarização.


A política raramente é movida apenas por discursos ou números isolados. Ela se constrói também a partir de gestos, sinais e associações simbólicas. Neste momento, enquanto o PSD observa em silêncio estratégico os movimentos de seus principais nomes, o relógio corre para Ratinho Jr., que agora precisa demonstrar que seu projeto político é capaz de se sustentar para além das polêmicas que envolvem o próprio sobrenome.

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Lucas Rogério

Publicado por:

Lucas Rogério

Lucas Rogério é cofundador e editor-chefe do Portal Futuro Livre, assina a Coluna Interferência e produz séries e reportagens especiais.

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