A política brasileira não é escrita com tinta, mas com ironia. Se um dia alguém decidir roteirizar os últimos 20 anos do país, será preciso avisar ao público: qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência. É pura ironia.
Em 2006, Lula e Alckmin se enfrentavam como rivais ferrenhos no segundo turno da eleição presidencial. Em 2022, lá estavam eles: lado a lado, sorrindo para a foto oficial, com Alckmin como vice de Lula. O que ontem era embate virou aliança.
Mas nenhuma ironia supera a sequência quase poética que se seguiu após o impeachment de Dilma Rousseff:
Bolsonaro vota pelo impeachment.
Dilma cai.
Temer assume.
Temer indica Alexandre de Moraes ao STF.
Bolsonaro vira presidente.
Alexandre de Moraes manda prender Bolsonaro.
É uma espécie de dominó político escrito por um roteirista bêbado, ou talvez apenas muito criativo. No Brasil, inimigos de ontem viram aliados de hoje. E vice-versa.
E diante disso, fica a pergunta:
O que impede Nikolas Ferreira de ser vice de Erika Hilton daqui a alguns anos?
Resposta: apenas o tempo. E a ironia.
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