As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro, mas continuam sub representadas na disputa pelo poder. Em 2026, elas representam 52,8% do eleitorado, enquanto apenas duas das 13 candidaturas à Presidência são femininas. Entre os nomes mais competitivos nas pesquisas, a predominância masculina também é evidente.
Esse cenário torna legítima a cobrança para que os candidatos apresentem propostas concretas para as mulheres e enfrentem questões que afetam diretamente esse grupo da população. Mas há um ponto que não pode ser ignorado: essa cobrança precisa ser feita de maneira coerente e igualitária.
Exigir de um candidato ou de outro um posicionamento mais firme sobre pautas relacionadas às mulheres é válido. O problema surge quando o mesmo critério não é aplicado aos demais. A cobrança não deveria ser determinada pela posição ideológica do candidato, seja ele de esquerda, centro ou direita, mas por aquilo que defende, propõe e efetivamente faz em relação às mulheres.
Se a defesa da igualdade é o princípio, ela também precisa estar presente na maneira como avaliamos os diferentes projetos políticos. Cobrar um candidato não deve significar aliviar a cobrança sobre outro. A crítica pode e deve alcançar todos os lados quando houver motivos para isso.
Mais do que escolher para quem direcionar a cobrança, o debate deveria partir de uma pergunta simples: estamos utilizando o mesmo critério para avaliar todos os candidatos?

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