O Caso Orelha provocou uma onda de indignação nacional nos últimos dias e reacendeu o debate sobre maus-tratos a animais e responsabilização criminal, inclusive quando envolve adolescentes e seus familiares.
Orelha era um cão comunitário idoso, com cerca de 10 anos, que vivia na Praia Brava, em Florianópolis. Conhecido por moradores e turistas, o animal contava com casinhas e cuidados mantidos pela própria vizinhança.
No início de janeiro de 2026, Orelha desapareceu. As investigações apontam que ele foi agredido no dia 4 de janeiro. Somente no dia 15, moradores encontraram o cão caído e agonizando em uma área de mata. Ele foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à gravidade dos ferimentos, especialmente uma forte pancada na cabeça com objeto contundente, precisou ser submetido à eutanásia no dia 16 de janeiro.
Durante a apuração, a Polícia Civil descobriu que os agressores também tentaram afogar outro cão comunitário, chamado Caramelo, levando-o ao mar. O animal conseguiu escapar.
A Polícia Civil identificou quatro adolescentes como autores das agressões. Por serem menores de idade, os nomes não foram divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente. Dois deles teriam viajado para os Estados Unidos logo após o caso ganhar repercussão.
Os jovens podem responder por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos com resultado morte.
O caso ganhou novos desdobramentos quando a investigação apontou uma tentativa de interferência nas apurações. Três adultos, sendo dois empresários e um advogado, pais e tio de alguns dos adolescentes, foram indiciados por coagir um vigilante de um condomínio da região.
Segundo a polícia, o funcionário teria fotos ou vídeos que comprovariam o crime. No dia 26 de janeiro, foram realizadas operações de busca e apreensão nas residências dos envolvidos, com a apreensão de celulares e notebooks.
O caso segue sob investigação.

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