Em 2025, as famílias brasileiras vivem uma situação curiosa e preocupante: pais e filhos estão sempre conectados, mas se informam de formas completamente diferentes. De um lado, os adultos confiam no WhatsApp como principal fonte de notícias, valorizando a rapidez e a facilidade da plataforma. Do outro, os mais jovens estão imersos em redes sociais como YouTube, Instagram, TikTok e o próprio WhatsApp, mas focados quase exclusivamente em entretenimento.
Segundo o Digital News Report 2024, do Reuters Institute, cerca de 36% dos brasileiros usam o WhatsApp como principal canal para se informar. Entre os que têm mais de 45 anos, esse número sobe para 47%, segundo a Statista. O aplicativo está presente no celular da maioria dos brasileiros e, para muitos, virou o novo "jornal da família".
O problema é que, diferente dos veículos jornalísticos tradicionais, o WhatsApp não oferece filtros, checagem ou contexto. A facilidade de uso ajuda a espalhar vídeos fora de contexto, mensagens alarmistas e conteúdos manipulados. Muitos pais, mesmo bem-intencionados, acabam repassando esses materiais sem conferir se são verdadeiros, o que acaba alimentando desconfianças, brigas familiares e visões distorcidas da realidade.
Enquanto isso, os filhos seguem outro caminho. De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, feita pelo Comitê Gestor da Internet (CGI.br), 93% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos acessam a internet todos os dias, principalmente pelo celular. As redes preferidas são YouTube, WhatsApp, Instagram e TikTok, mas quase sempre com foco em diversão, vídeos curtos, memes e influenciadores. Buscar notícias não é prioridade para essa geração e, quando acontece, é por meio de criadores de conteúdo, que nem sempre têm compromisso com a verdade ou com o aprofundamento das informações.
Esse tipo de uso, sem orientação e sem filtro, traz riscos. Ainda segundo a pesquisa, 29% dos jovens relataram ter vivido situações desagradáveis ou perigosas na internet, como contato com desconhecidos, exposição a vídeos violentos ou de teor sexual, ofensas e até participação em desafios perigosos. A maioria não contou para nenhum adulto. Só 44% procuraram ajuda quando enfrentaram problemas online. Importante ressaltar que 83% dos pais dizem conversar com os filhos mais novos sobre segurança na internet.
A televisão aberta continua sendo a principal fonte de informação para 47% da população, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos ou que vivem em áreas periféricas. O rádio também segue presente, com cerca de 35% de audiência, principalmente fora dos grandes centros urbanos. Já os jornais impressos estão quase desaparecendo: apenas 8% dos brasileiros ainda os leem com regularidade.
Por outro lado, o consumo de conteúdo digital só cresce. Entre os jovens, o YouTube já é a principal fonte de informação para 37% deles, ultrapassando portais e jornais. As redes sociais, no geral, são hoje o principal meio para se manter informado. Mas há um problema: apenas 22% dos brasileiros pagam por conteúdo jornalístico. Ou seja, a maioria se informa de graça, por caminhos mais rápidos.
Diante dessa realidade, percebe-se que, apesar de todos estarem conectados, cada membro da família vive em seu próprio universo informacional. O que era para aproximar, muitas vezes acaba afastando, criando um ambiente em que a troca e o entendimento ficam comprometidos. Superar esse desafio exige mais do que tecnologia; pede diálogo aberto, educação para o uso crítico das redes e a construção de pontes entre diferentes formas de consumir informação.

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